AVC: Sintomas, Sinais de Alerta e o Que Fazer
Aprenda a reconhecer os sintomas de AVC, como boca torta, fraqueza no braço e alteração da fala, e saiba o que fazer diante de uma suspeita de acidente vascular cerebral.


AVC: SINTOMAS, SINAIS DE ALERTA E O QUE FAZER
De repente, a pessoa começa a falar enrolado.
Um lado do rosto fica diferente.
Um dos braços perde força.
Ela começa a apresentar dificuldade para caminhar ou enxergar.
Pode estar acontecendo um Acidente Vascular Cerebral — AVC.
E nesse momento existe algo que não pode ser desperdiçado:
TEMPO.
O AVC é uma emergência médica.
Quanto mais rapidamente os sinais forem reconhecidos e o paciente chegar a um serviço preparado para realizar o diagnóstico e o tratamento adequado, maiores são as possibilidades de reduzir morte e incapacidade.
Por isso, reconhecer um AVC não é conhecimento exclusivo de médicos, enfermeiros ou profissionais do Atendimento Pré-Hospitalar.
TODOS DEVERIAM CONHECER OS PRINCIPAIS SINAIS.
O QUE É UM AVC?
O Acidente Vascular Cerebral acontece quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido.
Isso pode ocorrer basicamente de duas maneiras.
AVC ISQUÊMICO
Acontece quando uma artéria que leva sangue ao cérebro é obstruída.
É o tipo mais frequente de AVC.
AVC HEMORRÁGICO
Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando sangramento.
Apesar de os mecanismos serem diferentes, existe uma coisa em comum:
AMBOS SÃO EMERGÊNCIAS.
Não é possível determinar com segurança apenas olhando para o paciente qual tipo de AVC está acontecendo.
O diagnóstico depende da avaliação médica e de exames de imagem, principalmente a tomografia computadorizada de crânio.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DE AVC?
Os sinais geralmente aparecem de forma súbita.
Fique atento para:
Fraqueza em um lado do corpo.
Dormência ou formigamento em um lado do corpo.
Boca torta.
Assimetria da face.
Dificuldade para falar.
Fala enrolada.
Dificuldade para compreender o que está sendo falado.
Alteração súbita da visão.
Perda de equilíbrio.
Dificuldade para caminhar.
Tontura súbita associada a outros sinais neurológicos.
Dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando diferente das dores habituais.
Alteração do nível de consciência.
Um único sinal neurológico súbito já pode justificar suspeita de AVC.
NÃO ESPERE APARECEREM TODOS OS SINTOMAS.
COMO IDENTIFICAR RAPIDAMENTE UM POSSÍVEL AVC?
Uma avaliação simples pode ajudar.
ROSTO
Peça para a pessoa sorrir.
Observe:
Um lado da face está caído?
O sorriso está torto?
BRAÇOS
Peça para levantar os dois braços ao mesmo tempo.
Observe:
Um braço não sobe?
Um braço começa a cair?
Existe diferença evidente de força?
FALA
Peça para repetir uma frase simples.
Observe:
A fala está enrolada?
A pessoa troca palavras?
Não consegue formular a frase?
Não compreende o comando?
TEMPO
Encontrou alteração?
NÃO ESPERE MELHORAR.
Acione imediatamente o serviço de emergência.
No Brasil:
SAMU – 192.
O TEMPO DE INÍCIO DOS SINTOMAS É FUNDAMENTAL
Existe uma pergunta extremamente importante no atendimento de um paciente com suspeita de AVC:
QUANDO COMEÇARAM OS SINTOMAS?
Essa informação pode interferir diretamente nas possibilidades de tratamento.
Por isso, tente descobrir o horário exato em que a pessoa começou a apresentar alterações.
Mas existe uma situação diferente.
Imagine:
A pessoa foi dormir normalmente às 22h.
A família a encontra às 6h da manhã com dificuldade para falar e movimentar um braço.
Não sabemos exatamente quando o AVC começou.
Nesse caso, torna-se importante saber:
QUAL FOI O ÚLTIMO MOMENTO EM QUE ESSA PESSOA FOI VISTA BEM?
Essa informação é conhecida internacionalmente como “last known well”, ou último momento em que o paciente foi visto sem os sintomas.
Para as equipes de emergência, essa informação é extremamente valiosa.
AVC PODE ACONTECER SEM DOR?
Sim.
Esse é um erro comum.
Muitas pessoas associam uma emergência grave obrigatoriamente à presença de dor.
Mas um AVC pode acontecer sem dor.
Uma pessoa pode simplesmente apresentar:
Boca torta.
Fraqueza em um braço.
Alteração da fala.
E estar apresentando uma emergência neurológica grave.
Não espere o paciente reclamar de dor para considerar a possibilidade de AVC.
E SE OS SINTOMAS MELHORAREM?
Mesmo que os sintomas desapareçam rapidamente, o paciente precisa ser avaliado.
Alterações neurológicas transitórias podem representar um ataque isquêmico transitório — AIT — e indicar risco de eventos posteriores.
A melhora dos sintomas não significa:
“Está tudo bem.”
Procure atendimento médico.
NÃO DÊ COMIDA OU BEBIDA
Um paciente com AVC pode apresentar alteração da capacidade de engolir.
Isso é chamado de disfagia.
Oferecer água, alimentos ou medicamentos por via oral sem avaliação adequada pode aumentar o risco de aspiração.
Portanto, diante de uma suspeita de AVC:
NÃO OFEREÇA ALIMENTOS.
NÃO OFEREÇA BEBIDAS.
Aguarde avaliação adequada.
NÃO DÊ MEDICAMENTOS POR CONTA PRÓPRIA
Outro erro perigoso é tentar medicar o paciente em casa.
Por exemplo:
“Pode ser um coágulo. Vou dar AAS.”
Não faça isso.
Lembre-se:
O AVC pode ser isquêmico ou hemorrágico.
Não é possível diferenciar com segurança os dois tipos sem avaliação e exames adequados.
A medicação deve ser definida pelos profissionais responsáveis pelo atendimento.
O QUE FAZER DIANTE DA SUSPEITA DE AVC?
Reconheça os sinais.
Identifique aproximadamente quando começaram.
Acione imediatamente o serviço de emergência.
Mantenha a pessoa em segurança.
Não ofereça alimentos ou líquidos.
Não administre medicamentos por conta própria.
Observe alterações na consciência e respiração.
Reúna informações importantes para a equipe de emergência.
Não espere o paciente “melhorar sozinho”.
AVC É UMA EMERGÊNCIA TEMPO-DEPENDENTE.
E NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR?
Para a equipe de APH, o atendimento vai além de reconhecer a boca torta ou a fraqueza de um braço.
O objetivo é identificar rapidamente um possível AVC e direcionar corretamente esse paciente dentro da rede de urgência.
A avaliação inclui:
Segurança da cena.
Avaliação primária.
Via aérea.
Respiração.
Circulação.
Nível de consciência.
Sinais vitais.
Saturação de oxigênio.
Glicemia capilar.
Avaliação neurológica.
Determinação do horário de início dos sintomas.
História clínica direcionada.
Uso de escala pré-hospitalar apropriada.
Comunicação com a regulação.
Transporte para serviço adequado conforme protocolo regional.
POR QUE VERIFICAR A GLICEMIA?
Porque hipoglicemia pode provocar manifestações neurológicas que podem se parecer com um AVC.
Isso não significa que devemos descartar imediatamente um AVC diante de uma alteração da glicemia.
Significa que a glicemia capilar faz parte da avaliação e ajuda a identificar condições que podem simular ou acompanhar um quadro neurológico.
ESCALA DE CINCINNATI
Uma ferramenta tradicionalmente utilizada no ambiente pré-hospitalar é a Escala Pré-Hospitalar de AVC de Cincinnati.
Ela avalia três componentes principais:
ASSIMETRIA FACIAL.
QUEDA DO BRAÇO.
ALTERAÇÃO DA FALA.
A presença de alterações aumenta a suspeita de AVC e deve acelerar o fluxo de atendimento.
Mas nenhuma escala substitui a avaliação clínica.
EQUILÍBRIO E VISÃO TAMBÉM IMPORTAM
Nem todo AVC aparece apenas como:
Boca torta.
Braço fraco.
Fala enrolada.
Também podem ocorrer alterações súbitas de:
EQUILÍBRIO.
COORDENAÇÃO.
VISÃO.
Por isso, modelos internacionais atuais utilizam também a estratégia B.E. F.A.S.T.
B – BALANCE
Alteração súbita do equilíbrio.
E – EYES
Alteração súbita da visão.
F – FACE
Assimetria facial.
A – ARM
Fraqueza em um braço.
S – SPEECH
Alteração da fala.
T – TIME
Tempo de acionar imediatamente o serviço de emergência.
Essa abordagem amplia nossa percepção sobre possíveis manifestações do AVC.
O HOSPITAL PRECISA SABER QUE ESSE PACIENTE ESTÁ CHEGANDO
No atendimento pré-hospitalar, comunicação também é tratamento.
Quando o serviço de destino recebe antecipadamente informações sobre um paciente com suspeita de AVC, ele pode preparar recursos necessários para a continuidade do atendimento.
Uma comunicação objetiva deve incluir informações relevantes como:
Idade.
Principais sinais encontrados.
Horário de início dos sintomas ou último momento visto bem.
Nível de consciência.
Sinais vitais.
Glicemia.
Escala utilizada.
Evolução durante o atendimento.
Tempo estimado de chegada.
O objetivo é reduzir atrasos desnecessários.
TEMPO É CÉREBRO
Essa expressão resume o principal conceito do atendimento ao AVC.
Quando uma região cerebral deixa de receber fluxo sanguíneo adequado, tecido cerebral está sob risco.
Por isso, atrasos importam.
Demorar para reconhecer.
Esperar melhorar.
Ir primeiro à farmácia.
Dar medicamentos em casa.
Esperar algum familiar chegar.
Transportar para um serviço sem capacidade adequada quando existe uma rede regional definida.
Tudo isso pode representar perda de tempo.
E no AVC:
TEMPO PERDIDO PODE SIGNIFICAR FUNÇÃO NEUROLÓGICA PERDIDA.
TRATAMENTO DO AVC
O tratamento depende do tipo de AVC, do tempo de evolução, das condições clínicas do paciente, dos exames realizados e da estrutura disponível.
No AVC isquêmico, pacientes selecionados podem ter indicação de terapias para restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral.
Entre elas estão tratamentos trombolíticos e, em situações específicas, procedimentos endovasculares.
No AVC hemorrágico, o tratamento possui outra lógica e depende da localização, extensão do sangramento e condições clínicas.
É exatamente por isso que:
NÃO DEVEMOS TENTAR DEFINIR O TRATAMENTO EM CASA.
O paciente precisa chegar rapidamente ao serviço adequado.
O QUE DEVEMOS GRAVAR?
Uma pessoa estava normal e subitamente apresentou:
BOCA TORTA?
BRAÇO FRACO?
FALA ALTERADA?
ALTERAÇÃO DA VISÃO?
PERDA DE EQUILÍBRIO?
SUSPEITE DE AVC.
Descubra quando começou.
E acione imediatamente o serviço de emergência.
SAMU – 192.
Não espere passar.
Não ofereça comida ou bebida.
Não medique por conta própria.
AVC NÃO É UMA EMERGÊNCIA PARA OBSERVAR.
É UMA EMERGÊNCIA PARA AGIR.
RECONHECER CEDO.
ACIONAR RÁPIDO.
TRANSPORTAR CORRETAMENTE.
PODE MUDAR O DESFECHO DO PACIENTE.
REFERÊNCIAS
Ministério da Saúde – Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Ministério da Saúde – Linha de Cuidado do Acidente Vascular Cerebral no Adulto.
Ministério da Saúde – Protocolos de Intervenção para o SAMU 192.
American Stroke Association – Stroke Symptoms and Warning Signs.
Conteúdo destinado à educação em saúde. As condutas assistenciais devem seguir protocolos institucionais, legislação profissional, competências da equipe e diretrizes vigentes.


